BH Diurna e Noturna – As Duas Faces de uma metrópole

 BH Diurna e Noturna – As Duas Faces de uma metrópole

Foto: Flickr (Pedro Veneroso)

Existindo em seu próprio ritmo, BH se distancia da correria desenfreada de outras capitais, principalmente em comparação com o Rio de Janeiro e a grande São Paulo. Suas árvores oferecem calmaria, mesmo nos dias mais complicados, entrando em sintonia com nossa belíssima arquitetura. Mas em certo momento, toda essa quietude se transforma em grande agitação, um feliz fervor que modifica a cidade. Quer entender o que acontece na capital mineira? Então prepare as malas, pegue sua passagem e venha viajar pelo centro da mineiridade.

A Capital dos Bares e Restaurantes

Não é novidade para ninguém que Belo Horizonte é considerada a capital brasileira dos bares e restaurantes. A alcunha foi confirmada pela própria Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel), em pesquisa realizada em 2023, que demonstrou que a cidade possuía 178 bares para cada 100 mil habitantes. 

Porém, muitos destes não estão abertos a qualquer momento, ganhando vida ao anoitecer. É então que a cidade movimentada pelo trabalho ganha seu ar boêmio.

A imagem mostra um bar de BH ao anoitecer, com muitos clientes ainda no local. O local se localiza próximo a praça Raul Soares.
Foto: Leandro Alves (Acervo Pessoal)

 Entre pequenos botecos e grandes bares, a região central da cidade fica recheada dos mais diversos visitantes, que buscam um divertimento com amigos e familiares.

Mas se engana quem acha que é apenas à noite que eles fazem sucesso. Embalados pela felicidade de sexta-feira, os finais de semana se movimentam com as festas do povo mineiro. Os estabelecimentos ficam tão lotados que quase são conhecidos como pontos turísticos.

A Riqueza Cultural de Belo Horizonte

Com mais de 80 parques espalhados por toda a cidade, BH se refresca debaixo das verdes copas de grandes árvores. Inaugurado em 1897, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti é o patrimônio ambiental mais antigo da capital. Se erguendo em meio aos grandes prédios, o parque se apresenta como um respiro do hipercentro, acalmando os corações dos que ali se aproximam.

Além de sua beleza, o parque abriga o Teatro Francisco Nunes, local que recebe mensalmente diversos espetáculos. Com uma programação variada que inclui peças de teatro, shows ao vivo e comédias stand-up , o Francisco Nunes oferta ao público uma importante parcela do grande circuito cultural de Belo Horizonte.

Mas é na Praça da Liberdade onde a mágica mineira acontece. Centro cultural da cidade, a praça abriga diversos museus e memoriais, além da Biblioteca Pública, Academia Mineira de Letras e Centro de Arte Popular. O Palácio da Liberdade – antiga moradia do governador de Minas Gerais -, também foi transformado em museu, aberto à visitação gratuita do público. Facilmente reconhecido por sua arquitetura, o palácio dita a estética dos históricos prédios ao seu redor.

Porém, as novas construções da região trazem grande diferença para quem estava acostumado em viver e adentrar a história.

Uma Cidade, Diversas Estéticas

Cidade símbolo do multiculturalismo, BH não podia ser diferente na área estética. Edifícios espelhados se misturam com os coloridos grafites na área central da cidade, criando um mix de sentimentos nos corações de todos os mineirinhos. Dentre pinturas com grandes alegorias sociais, até aquelas que desejam celebrar a arte em sua pureza, os grafites passam uma mensagem aos Belo-horizontinos : A arte urbana respira!

E esse movimento urbano segue vivo até ao anoitecer da cidade. É então que o tom naturalista, focado nas belas construções, dá lugar ao show de luzes e reflexos. Uma verdadeira metrópole urbana nasce de onde se menos espera. As luzes brancas dos postes se misturam com o neon das diversas placas espalhadas pelos estabelecimentos, criando uma riquíssima paisagem neo-noir. A cidade tanto se moderniza nesse iluminado movimento, que até evento existe.

A imagem mostra a logo do Cine Teatro Brasil Vallourec, com o fundo iluminado.
Cine Teatro Brasil Vallourec - Foto: Leandro Alves (Acervo Pessoal)

Festa da Luz

Festival gratuito que embala o hipercentro de BH, a Festa da Luz busca unir a música, tecnologia e arquitetura. O evento ocorreu entre os dias 23 e 26 de maio, onde apresentou a proposta de uma cidade-floresta iluminada, nada mais belorizontino do que isso. E juntamente da iluminação da cidade, shows e exposições compuseram o restante da festa, apresentando um novo respiro para a capital. Dentre os artistas estavam: Hot e Oreia, Ailton Krenak, Glicéria Tupinambá, Don L, dentre outros. E a ação fez sucesso, lotando o centro com a curiosidade e o entusiasmo do público. Esta foi apenas a 3º edição, o que deixa os moradores animados para os próximos anos. 

Dia e Noite nas Periferias

Porém, até agora a atenção das áreas estéticas e arquitetônicas se voltou para a região central. Mas, o que acontece nos dias e noites da periferia da capital?

O tom classicista visto até agora no hipercentro não é percebido nas regiões do entorno. Pelo contrário, é ali o berço de ouro da arte urbana, produzida para se tornar um escape da opressora realidade. O visual e o musical se misturam, formando um mar de expressões, onde as antigas e as jovens gerações se banham igualmente.

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Os grafites, que de dia reluzem nos muros, não buscam apenas trazer beleza às regiões, mas desejam passar uma mensagem. O discurso ecoa, existe arte nas favelas!
Da porta de escolas ao muro de casas, as decorações ganham vida no dia a dia dos moradores, retratando vivências que trazem profundas conexões. 

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Mas a arte não se mostra apenas na luz do dia.  É a noite onde a expressividade ganha forma, caminhando da música à estética de roupas e eventos. Entre bailes e rodas de samba, os encontros representam sobretudo liberdade, um local onde a verdadeira essência de cada morador é celebrada. E nesse frenesi de sentimentos, existe uma única regra: A felicidade é inegociável!

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BH - O Berço do Multiculturalismo

Belo Horizonte possui uma ampla variedade cultural, seja em suas construções, grafites, museus e festas. Todas essas, porém, não são definições únicas da cultura Belo-horizontina e de sua mineiridade. Esta é formada pela diversidade de vivências e formas de expressão, que se espalham por todas as regiões da cidade. Seja na MPB, no rock ou no funk, nos casarões ou nos grafites, BH vive em si, com características únicas que tornam essa capital tão apaixonante.

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