Queijo minas, a delícia que virou patrimônio da humanidade
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Luana Ester Luna - Redação WikiSoft- 0
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Olá, eu sou a Luana Ester Luna, da redação da Wikisoft, e hoje a gente vai falar de um tema delicioso, o queijo minas. Aquele queijo produzido em Minas Gerais que fica perfeito no sanduíche ou nas mais variadas receitas foi reconhecido pela Unesco – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O reconhecimento foi anunciado na última quarta-feira, 4/12, em uma reunião na cidade de Assunção, no Paraguai. Fica comigo que a gente vai conferir essa história!
Antes de abordar o reconhecimento da Unesco, a gente vai falar um pouco sobre o queijo minas, conhecer um pouco da sua história, seus diferentes tipos e toda a sua importância para o Estado de Minas Gerais. Então, vamos lá!
O queijo, por definição, é um produto obtido pela coagulação do leite, seguida de uma desidratação da coalhada, podendo ser fresco ou maturado. Já o queijo minas, tema do nosso artigo, é o queijo produzido em Minas Gerais, tem uma grande importância econômica e cultural para o Estado de Minas. A produção e o consumo do queijo minas remontam séculos de história.
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História do queijo minas
O queijo minas, como o próprio nome sugere, tem origem em Minas Gerais, é uma adaptação de uma receita portuguesa. A sua produção artesanal remonta à descoberta do ouro na Capitania de Minas Gerais, ainda na época do Brasil Colônia, entre os séculos 17 e 18. Muitos portugueses vieram ao Brasil em busca das riquezas da região. Como esses viajantes precisavam de um alimento que tivesse boa durabilidade e resistisse às longas jornadas, eles adaptaram uma receita portuguesa de queijo coalhado produzido a partir de leite fresco. Com o tempo, essa adaptação brasileira da receita fez tanto sucesso que o queijo minas logo passou a ser consumido em todo o território nacional. Hoje, a produção de queijos artesanais tem grande importância cultural, econômica, histórica e na tradição do Estado de Minas Gerais. É um setor que realmente movimenta a economia, já que um grande número de famílias tem o produto como fonte de renda.
Tipos de queijo minas
Quando se fala em queijo minas, logo vem à mente aquele queijo branco que a gente compra no supermercado, não é mesmo? Mas existe uma variedade queijo minas. Eu não vou detalhar os nomes de todos os tipos porque são muitos, mas generalizando, vou destacar três categorias: queijo minas artesanal, queijo minas frescal e queijo minas padrão.
Queijo minas frescal é o queijo fresco, de pouca maturação. Esse queijo é o mais encontrado nos mercados de todo o Brasil. Elaborado com leite pasteurizado, geralmente de vaca, é ótima opção para dietas, cafés da manhã e lanchinho da tarde. O queijo minas frescal tem uma produção econômica porque não precisa de muitos litros de leite para fazer um queijo. É um produto com umidade muito alta que pode ser elaborado com sal, pouco sal e sem sal. O queijo minas frescal é aquele queijo branco que muita gente gosta de comer acompanhado com goiabada, fazendo aquele típico Romeu e Julieta.
Queijo minas padrão é o queijo feito de acordo com a receita tradicional do queijo de minas, mas produzido industrialmente e com leite pasteurizado. Geralmente se apresenta como meia-cura. Esse queijo é uma cópia do queijo minas artesanal, a diferença é que é produzido industrialmente e com leite pasteurizado e pode ser produzido em qualquer região do Brasil. Apresenta uma tonalidade amarelada e textura mais firme se comparado ao queijo minas frescal.
Queijo Minas Artesanal é o queijo minas original, produzido artesanalmente em fazendas mineiras e produzido com leite fresco e cru. O leite deve ser recém-ordenhado e por isso obtido na própria fazenda produtora do queijo. Textura, sabor e tradição são algumas das riquezas do queijo minas artesanal. Riqueza de sabores e texturas, porque tem enorme variedade de sabores marcantes e texturas também variadas, de acordo com o processo de produção. E quanto à riqueza tradicional, a gente não pode deixar de falar do valor dos queijos artesanais na tradição cultural do Estado de Minas Gerais. Os modos de produção são tradições familiares, são conhecimentos passados de geração em geração, de pai para filho. Além disso, os queijos artesanais levam consigo características típicas da região onde são produzidos, o Estado de Minas Gerais. Isso ocorre não apenas no jeito mineiro de fazer, mas também por um conjunto de fatores específicos da região como, clima, ambiente, pastagem do animal que vai fornecer o leite, tudo isso influencia nos sabores e texturas peculiares do queijo artesanal.
Existem vários tipos de queijos artesanais. Por ser o queijo minas original, a gente vai falar bastante aqui no artigo sobre o queijo minas artesanal.
Com relação aos valores nutritivos do queijo minas artesanal, apesar dos variados tipos, que obviamente têm diferentes composições, podemos dizer que o queijo minas artesanal apresenta em sua composição gordura, proteínas, minerais e vitaminas. O percentual de gordura geralmente varia de 12% a 30%; o queijo minas artesanal também é uma fonte de cálcio e fósforo; apresenta concentração de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) dependendo do teor de gordura do queijo e também vitaminas do complexo B, principalmente vitaminas B2 e B12.
Processo de fabricação artesanal
O queijo Minas artesanal (QMA) é um produto muito produzido e consumido em todo o Estado de Minas Gerais. As dez regiões produtoras tradicionais são as regiões de Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Ibitipoca, Serra do Salitre, Serro, Triângulo, Diamantina e a região entre Serras da Piedade e Caraça. A produção de leite é primordial na elaboração do queijo minas artesanal. A qualidade do leite utilizado influencia no sabor do produto final, na durabilidade e na segurança para os consumidores. A produção de leite de boa qualidade começa nos cuidados com os animais, com a saúde e alimentação do rebanho, além das condições higiênico-sanitárias do processo de ordenha.
Como é a produção do queijo minas artesanal?
O queijo minas artesanal é um queijo de massa crua elaborado em estabelecimento individual e precisa atender aos padrões exigidos pela legislação. Passa pelos processos de fermentação, coagulação e prensagem. O produto final deve apresentar consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, sem corantes nem conservantes. A temperatura, que geralmente varia entre 32°C e 36°C é a mesma do início ao fim da produção. A técnica de fabricação do queijo minas artesanal é simples, porém eficiente. O processo de fabricação tem início logo após a ordenha e é realizada com leite que não tenha sofrido resfriamento nem tratamento térmico, ou seja, o leite não é pasteurizado.
Lei dos Queijos Artesanais de Minas (Lei nº 23.157, de 18/12/2018)
A Lei dos Queijos Artesanais de Minas dispõe sobre a produção e a comercialização dos queijos artesanais de Minas Gerais. É uma lei que reconhece o queijo como um dos símbolos da identidade mineira e que sua produção artesanal precisa ser reconhecida e protegida pela administração pública estadual. A lei também é responsável pela fiscalização sanitária da produção dos queijos artesanais, que é realizada periodicamente por órgão de controle sanitário competente. A lei também considera como variedade de queijo artesanal o produto obtido através da adição de condimentos, especiarias ou outras substâncias alimentícias ou de alterações pontuais no processo de fabricação ou na etapa de maturação, o que ampliou a variedade de queijo minas artesanal.
Processo de fabricação industrial
A gente vai falar um pouquinho também do queijo minas industrial. Segundo matéria do G1, o Sul de Minas possui grandes laticínios que garantem vendas de queijos produzidos industrialmente por todo o país. A diferença entre os queijos artesanal e industrial começa já no tratamento do leite. O queijo Minas Artesanal é produzido com leite cru, sem interferência de outros produtos. Já o queijo industrial é fabricado com leite pasteurizado, que tira os microrganismos naturais presentes para evitar uma possível contaminação. Ainda de acordo com a matéria do G1, há produtores que garantem ser possível manter o sabor doméstico, típico do queijo artesanal, nos queijos industrializados, mesmo utilizando maquinário industrial.
Importância da produção do queijo para economia
A fabricação de queijos movimenta a economia do Estado. Minas Gerais é um grande produtor de queijo (artesanal e industrial) e de leite, que é a base da produção de queijos. A pecuária leiteira tem contribuído para o desenvolvimento da agricultura familiar em Minas Gerais e se destaca por ter a maior produção do país. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2023, o Estado foi o maior produtor de leite do Brasil. Assim, a produção de queijo e de leite não só contribuem com o crescimento da economia no Estado, mas também com a permanência do agricultor no campo, um fator de caráter sociocultural muito importante.
A gente quando consome aquele queijo minas no café da manhã, no lanchinho da tarde ou utiliza em alguma receita, não faz ideia de todo o trabalho que envolve a sua produção.
Luana Ester Luna Post
Com relação ao processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, afinal, o que é um Patrimônio Cultural Imaterial?
Por definição, bens culturais de natureza imaterial são práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas). A gente vai falar mais adiante que existem eventos relacionados ao queijo no Estado de Minas Gerais. A nossa Constituição Federal de 1988 reconheceu a existência de bens culturais de natureza material e imaterial. A gente pode entender como Patrimônio Cultural Imaterial as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que as comunidades, os grupos e os indivíduos reconhecem como seu patrimônio cultural. Esse Patrimônio Cultural Imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos ao interagir com o ambiente, a natureza e a sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade. Como Patrimônio Cultural Imaterial estão inseridas as práticas sociais, rituais e atos festivos; os conhecimentos e práticas relacionados à natureza; as técnicas artesanais tradicionais, dentre outras. Apenas lembrando que o reconhecimento que será feito agora será como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Porém, os Modos de Fazer Queijo Minas Artesanal são técnicas que já foram reconhecidas em 2002 como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais e, em 2008, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).
Qual o impacto que o reconhecimento do nosso delicioso queijo minas como patrimônio cultural traz para o Brasil?
Essa candidatura dos Modos de Fazer Queijo Minas Artesanal a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade poderá aumentar a exportação do nosso queijo para o mundo e dar maior visibilidade ao Brasil como destino de turismo gastronômico. É um ganho para o Estado de Minas Gerais e para o Brasil. O Governo de Minas está empenhado desde 2022, quando foi lançada essa candidatura durante o 4º Festival do Queijo Artesanal Mineiro. O Governo de Minas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Cultura (MinC) estabeleceram uma parceria para divulgar a importância desse reconhecimento. As instituições governamentais envolvidas procuraram mobilizar as 10 regiões produtoras por meio de ações, como eventos culturais e feiras para consolidar o apoio popular e institucional à candidatura.
Como foi o processo de reconhecimento pela Unesco?
A decisão da Unesco foi anunciada na última quarta-feira (4/12) em reunião realizada em Assunção, no Paraguai. Foi um momento histórico. Segundo matéria da Agência Minas, foi o primeiro produto da cultura alimentar do Brasil a ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pela Unesco. Ainda segundo matéria da Agência Minas, “(…) Os modos de fazer [queijo minas artesanal] são importantes porque valorizam as pessoas, os produtores, que mantiveram essa tradição por mais de 300 anos aqui no Brasil”, ressaltou o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira. Podemos dizer que o nosso delicioso queijo minas ganhou o mundo. Esse reconhecimento põe a cultura e a identidade de Minas de Gerais em evidência global ao valorizar os territórios produtores do Queijo Minas Artesanal e as suas tradições.
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Comemoração com festa
Um marco histórico merece uma comemoração, não é mesmo? O Governo de Minas organizou uma programação diversa para celebrar a conquista tanto em Belo Horizonte quanto nas regiões produtoras. A programação, realizada pelo Governo de Minas por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), valoriza não apenas o queijo, mas também a tradição das regiões produtoras. As comemorações tiveram início já no dia 4/12 e se estenderão até 15/12. Show de drones e uma performance de Marcus Viana com o Coro Sinfônico do Palácio das Artes completaram a programação. No coreto da Praça da Liberdade, será montada uma mesa de queijos e drinks especiais com cachaça mineira. Entre os dias 5/12 e 8/12, duas viagens com cerca de 80 jornalistas de todo o país vão percorrer as 10 regiões produtoras do Queijo Minas Artesanal no Estado.
Espetáculo do maior queijo do mundo
Na manhã do dia 15/12, último dia de celebração, o destaque ficará por conta da apresentação do maior queijo do mundo no Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação, em Belo Horizonte. A iguaria foi produzida em Ipanema, no Vale do Rio Doce. Durante o evento, haverá distribuição de café e queijo para os visitantes. A marca de 2.870 quilos foi alcançada durante a realização da 14ª Festa do Queijo. Também haverá celebrações no interior de Minas, com espetáculo de drones iluminando o céu. Em cidades como São Roque de Minas, Diamantina, Coronel Xavier Chaves, Araxá, Lima Duarte, Serro, Serra do Salitre e Uberlândia, entre outras, serão realizados shows de drones referentes ao reconhecimento da Unesco.
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Algumas curiosidades
Para a gente finalizar, algumas curiosidades sobre o queijo minas:
- Existe concurso de Queijo Minas artesanal
Um exemplo foi o 17º Concurso Estadual dos Queijos Artesanais de Minas Gerais. Esse concurso é uma realização do Governo de Minas Gerais por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG) vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SEAPA). O concurso tem por objetivo estimular a produção com qualidade, buscando a sua valorização; premiar os melhores queijos e valorizar a atividade; promover a divulgação entre consumidores e comerciantes; e incentivar a habilitação sanitária dos estabelecimentos produtores. Como critério de participação no concurso, é considerado dentro da categoria de queijo Minas Artesanal o queijo elaborado a partir do leite de vaca, integral, fresco, cru, recém-ordenhado e de produção própria, isento de corantes e conservantes e produzido dentro do Estado de Minas Gerais. Os queijos são avaliados segundo a sua apresentação externa, a sua cor, uniformidade, intensidade, brilho, consistência, aroma e sabor. Esses são apenas alguns dos critérios. Esse ano de 2024, a disputa contou com 99 queijos inscritos nas diversas categorias, e o grande vencedor foi o produtor Kléber João Soares.
- Existem eventos relacionados ao queijo no Estado de Minas Gerais
Um exemplo é o Festival do Queijo Artesanal de Minas 2024 Entre os dias 13 e 15 de junho, o Festival do Queijo Artesanal de Minas chegou à sua 6ª edição. O objetivo do evento era valorizar o queijo artesanal de Minas e promover a gastronomia local, fortalecendo a economia e o turismo regional. O festival aproximou produtores e consumidores, foi um momento de intercâmbio cultural.
• No dia 20 de janeiro é comemorado o Dia Mundial do Queijo.
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Mas, enfim, a gente quando consome aquele queijo minas no café da manhã, no lanchinho da tarde ou utiliza em alguma receita, não faz ideia de todo o trabalho que envolve a sua produção. É muito interessante conhecer um pouco dessa história e desse trabalho que afinal tem um resultado sempre tão delicioso.
Continue acompanhando aqui os nossos artigos, um grande abraço!
Carioca, formada em História e estudante de Jornalismo.
Apaixonada por escrita, adoro ler e pesquisar sobre os mais diversos assuntos.
Sendo uma pessoa naturalmente curiosa e analítica, meu objetivo é levar informação de qualidade para o público.